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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Cuculiformes
Família: Cuculidae
 Leach, 1820
Subfamília: Taperinae
 Verheyen, 1956
Espécie: T. naevia

Nome Científico

Tapera naevia
(Linnaeus, 1766)

Nome em Inglês

Striped Cuckoo


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Pouco Preocupante

Fotos Sons

Saci

O saci é uma ave cuculiforme da família Cuculidae. Também conhecido por verão, peitica, buraco-feio, crispim, fem-fem (Amazônia), matinta-pereira (do tupi matintape're), matintaperera, matintaperê, sem-fim, seco-fico, sede-sede, tempo-quente, peixe-frito e peitica no Maranhão e outros mais.

Em “Lendas amazônicas”:

Matintaperera é um pássaro noctívago de espécie rara, cujo canto estridente dizem prenunciar desgraça. Em toda a Amazônia o têm como encarnação de alma penada ou metamorfose de velha malvada a pedir tabaco para cachimbo. Nas noites de sexta-feira é maior o temor que inspira e, por isso, ao escutá-lo gritam: vem buscar tabaco amanhã… E, conta a lenda, no dia seguinte se há de ver uma negra velha de saia toda esfarrapada, rondando a casa em busca do fumo prometido…

Imortalizado na letra de Antônio Tavernard (1908-1936) e Waldemar Henrique

Matintaperera chegou na clareira e logo silvou…
No fundo do quarto Manduca Torquato de medo gelou.
Matinta quer fumo quer fumo migado,
meloso, melado que dê muito sumo,
Torquato não pita, não masca nem cheira,
Matintaperera vai tê-la bonita.
Matintaperera de tardinha vem buscar
O tabaco que ontem à noite eu prometi:
Queira Deus ela não venha me agoirar…
Ah! Matinta Preta Velha, Mãe Maluca, Pé-de-pato,
Queira Deus ela não venha me agoirar…
Matintaperera chegou na clareira e logo silvou…
No fundo do quarto Manduca Torquato de medo gelou.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (tupi) tapera, tapiera = nome ameríndio na língua tupi para uma ave cuculiforme que, segundo a mitologia indígena, grita imitando vozes de “espíritos” humanos; e do (latim) naevia, naevius = pintado, manchado, marcado. ⇒ Cuco pintado ou cuco manchado. “Coucou tacheté de Cayenne” de Brisson (1760) (Tapera).

Características

Mede entre 26 e 30 centímetros de comprimento; o macho pesa entre 40 e 58,4 gramas e a fêmea entre 40,4 e 59 gramas.
Adulto com a testa, a coroa e a curta e irregular crista com coloração que varia da cor de canela ao castanho com listras pretas (tarja central sobre cada pena). Sobrancelha esbranquiçada, estreita sobre os olhos, após os olhos torna-se mais larga. Sobre os olhos apresenta nítida faixa escura. O dorso e escapulários com listras enegrecidas, uropígio e supracaudais com as raias do eixo pretas estreitas. Bochechas castanhas com listras escuras. As rêmiges são acinzentadas com larga faixa pálida na ponta. Álula longa, proeminente e preta. Apresenta estreita faixa malar escura. A garganta é de coloração areia e o peito é tingido de cinza. O ventre é esbranquiçado e o crisso, de coloração camurça. A cauda é longa, um pouco graduada, marrom com as bordas acastanhadas.
Bico curto e levemente curvado, os tarsos e pés são cinza azulados.
O juvenil da espécie apresenta a crista mais curta que os adultos, a coloração da crista é cinza-escura e suas penas têm grandes pontos pálidos na extremidade terminal. A garganta apresenta a coloração canela e o peito, leve barrado escuro. As penas das asas (coberteiras e rêmiges) e as penas coberteiras da cauda com pintas claras de coloração camurça.

É rapidamente reconhecido pelo seu canto mais característico, emitido de forma contínua, ao longo do dia, no período reprodutivo e mais espaçadamente no resto do ano. Esse canto é entendido em diferentes partes do Brasil conforme cada um de seus nomes comuns. Também, raras vezes, canta durante a noite chegando a cantar várias noites seguidas. Possui dois cantos diferenciados, os quais, normalmente, utiliza em situações diferentes. O de 2 notas é mais usado quando o pássaro está distante de um rival e serve para demarcar território e o outro, de 5 a 6 notas, geralmente é usado como canto de amanhecer ou entardecer, ou quando sente a presença de um indivíduo da mesma espécie no perímetro de seu território. Entretanto, pode haver observações e conclusões diferentes de acordo com a região observada.

ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL

Subespécies

Possui duas subespécies reconhecidas:

(ITIS - Integrated Taxonomic Information System, 2015; Clements checklist, 2014).

Alimentação

Sua alimentação ao longo da vida é de insetos adultos e lagartas.

Reprodução

Como o cuco europeu e outras aves de sua família, não faz ninhos próprios. Coloca seus ovos em ninhos de outras espécies, cabendo aos pais adotivos chocar e criar seus filhotes. Procura aves que fazem ninhos grandes e fechados, com uma pequena entrada, como o joão-teneném e o curutié (Certhiaxis cinnamomeus), como na foto abaixo. Apesar de muito maiores do que as espécies parasitadas, seus ovos possuem dimensões semelhantes ao hospedeiro forçado. A postura é feita quando os pais adotivos estão começando a botar os ovos e chocam mais rápido do que os irmãos de ninho. Ao nascer, o filhote possui um bico poderoso, com uma ponta em forma de alicate, usada para matar os outros filhotes à medida que nascem. Com isso, assegura um suprimento de comida compatível com seu maior tamanho e velocidade de crescimento. Os pais adotivos desdobram-se para conseguir alimentar o sacizinho, o qual segue pedindo comida, mesmo depois de sair do ninho, com 18 dias de vida. Nessa fase, já tem duas ou três vezes o tamanho dos hospedeiros.

Exemplos de "pais adotivos" - Parasitismo

Furnariidae

Hábitos

Embora seja fácil de escutar, é de difícil observação. Vive solitário, ocupando áreas abertas próximas a capões de mata, cordilheiras ou com árvores esparsas. Não usa áreas com vegetação baixa, ficando escondido entre o capinzal ou os arbustos. Canta pousado nos galhos inferiores de uma árvore ou em arbustos, ocasião em que pode ser observado melhor, se detectado a tempo. A qualquer sinal de perigo, voa para o interior da mata ou esconde-se nos arbustos.

Distribuição Geográfica

Ocorre no Brasil todo.

Referências

Galeria de Fotos